Sentada no pau dele, que me disse pela primeira vez “eu te amo”.
Cavalgava como a vadia que era, de costas para ele, deitado reinando em minha cama, de frente para mim. Eu observava todo o espaço que aquele pau ocupava em sua buceta, cada vez mais larga, molhada, aquele pau tão grosso e disforme e agressivo, tão largo também que eu não conseguia não achar que tinha um formato quadrangular, com as quinas suavizadas para que não causasse mais estrago do que já causava, que estava causando. Realmente eram os vinte centímetros anunciados, e eu me surpreendia como tudo aquilo entrava com certa facilidade na minha mulher. Aquela buceta tinha nascido para aquele pau, e aquele pau, que a violentava e me humilhava, expelia da boca dela o amor que nunca acreditei que sentisse.
Seus peitos chacoalhavam como duas bexigas cheias de água. Não, não eram murchos, minha mulher era linda! Eram bexigas cheias, não muito grandes, mas cheias, com a pele viçosa, os bicos como duas pontas de flechas afiadíssimas. Chacoalhavam muito, de tanto que sentava com força naquela pica, de tanto que se erguia e voltava a sentar, numa velocidade que nunca havia percebido existir comigo. Às vezes cansava, mas o macho não cessava nunca, passava ele a socar com força e rapidez, e os peitos dela continuavam a chacoalhar. Era lindo. Engraçado, mas lindo. Havia momentos que ele se erguia e os tocava, agarrava-os com as duas mãos, eles sumiam em suas mãos, grandes garras a não desperdiçar nenhum pedaço de carne. Uma fera ganhando território.
Ela sempre me olhava. Por cada etapa, sempre me olhava. Ali de pernas abertas, com a genitália arreganhada, ela me fitava. Ele também, havia quando se esforçava para me achar ali sentado em frente à cama, eu, mais uma mobília infectada com seu cheiro, e metia um pouco mais fundo e devagar, se exibindo. Estreitava os olhos, mordia os lábios, expressava o seu prazer e sua vitória, e deitava-se novamente, voltava ao seu posto de dono do pau que deveria estar sempre dentro da minha mulher. Aquele pau lhe trazia felicidade, realização. Ela me olhava, e eu via. Eu via tudo! Cada detalhe, de cada centímetro, de sua alegria.
As pernas dele estavam quase fora da cama, seus pés quase encostavam o chão. Assim sua pica ficava mais próxima, e minha amada, a única mulher a quem consegui me unir, mostrava seu amor mais perto de mim. Eram pés grossos, quase nojentos. Pés de um selvagem que ainda evoluía. Pés de homem. Eu olhava e estranhava aqueles pés tão próximos, não me lembro aliás ter estado a tão pouca distância dos pés de um homem, eles me perturbavam. Pensei por um momento que eu deveria estar ali sob eles, seria mais humilhante; pensei por outro que eu gostaria de estar ali sob eles. Não conseguia concluir, quando ela disse:
—Eu te amo.
Foi horrível. Senti como se tivessem anunciado a morte de um ente querido, talvez de um cachorro que me acompanhou por toda a infância. É isto, eu senti uma tristeza de morte. Procurei os olhos dela e indaguei com os meus o que havia acabado de ouvir. Ela se repetia, “eu te amo”, seus peitos chacoalhavam, e a sua buceta rasgada, e aquelas bolas que a surravam, mas ela se repetia, e era grave, aquelas palavras não carregavam a ironia carinhosa que eu conhecia desde os tempos de colégio e que agora eu buscava reconhecer, com a urgência de quem está para morrer. Eu não encontrava, mas ela me repetia: “eu te amo”. “Meu amor, eu te amo”.
[de Pablo e Lúcia: um prenúncio]
2 comentários:
Forte... animal... rasgado... intenso
fudido!
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