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sábado, 25 de dezembro de 2010

tu não és o meu poema

jorra na minha garganta toda tua indecência
todo teu egoísmo

prenda-me na tua coleira
faz-me pequeno na tua vaidade
grandioso na tua verdade
marca-me com ferro a tua mentira

arranca com os dentes o meu amor
mastiga a tua vitória

deleita-te na minha catástrofe
beija-me a minha desgraça
identifica-te com ela
e finca-te em toda a minha vida

recusa-me por fim os versos
porque não te amo porque mereces, amo-te porque és um canalha; então mija na minha boca: seja-me prosa sem sentido

e demorada.

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