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domingo, 21 de novembro de 2010

Uma coisa rápida


Só pra dizer que um passou por mim, até me olhou, sem motivo, claro, porque o motivo dele não é, nunca seria igual o meu, mas me olhou e me fez uma história, fabulou a minha mente. ele foi uma surpresa pros meus amigos, todo sério, todo homem, todo simples, todo menino, todo meu. a existência dele envaidecia a minha, felicitava também, e ele um dia me dizia que tudo o que eu não gostava em mim me tornava tão mais bonito pra ele, todos os limites, todos os bloqueios, fraquezas, defeitos mesmo. ele era assim quase que perfeito. mas eu fabulei alguns poréns, alguma agressividade, alguma possessividade, algum ar que ele me tirava, permiti a nós algumas cercas pra que pudéssemos ser um pouco reais, ainda que fabulosos. ele era comum, tão comum, de verdade ele era comum eu sei. vi nos olhos dele quando passou que ele era comum, e acessível, um rapaz do cotidiano, mesmo com o peito e o abdomen tatuado ele era do dia a dia, mas tão dos outros, nunca de mim. tanto ele quanto outros que eu já e ainda nem percebi, tão alheios. ele me chamou pra conversar e me entregou um anel, disse que seria o que ninguém tinha sido na minha vida. não sabia como seria usar um anel, ser assim tão exposto, tão óbvio, mas que eu achava um jeito. encontraríamos o nosso jeito de viver o que esperávamos viver. e viveríamos. fabulei até de noite, esquecendo tudo o que não era verdade.

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